As tendinites correspondem a 30% de todas as lesões esportivas e são muito comuns no joelho. Por isso, o conhecimento da tendinite do joelho por atletas, médicos, fisioterapeutas e profissionais de educação física é fundamental para o diagnóstico, tratamento correto e para o rápido retorno do atleta ao esporte.

Os tendões do joelho são estruturas de tecido conjuntivo que fazem a ligação dos músculos da coxa com os ossos do joelho, auxiliando nos movimentos da articulação e funcionando como “polias” desta “engrenagem” complexa que é a articulação do joelho.

Os tendões do joelho são compostos por células, água, colágeno tipo 1 e apresentam pouca vascularização, o que gera um metabolismo muito lento. Por isso, a cicatrização do tendão lesionado pode ser difícil e demorada.

tendinite no joelho 1

O uso excessivo dos tendões do joelho - que ocorre em esportes como futebol, vôlei, corridas, basquete, handebol, ciclismo e lutas - pode causar inflamação do tendão (tendinite), desgaste do tendão (tendinopatia) e até mesmo ruptura dos tendões.

Os principais tendões do joelho são o tendão patelar, o tendão quadricipital, o tendão bicipital, o trato iliotibial, o tendão poplíteo e os tendões da pata-de-ganso.

O tendão patelar é o mais frequentemente acometido por lesões devido a sua importância na força de extensão e de freio do joelho. Sua lesão é conhecida como “joelho do saltador”, “jumper’s knee”, tendinite patelar ou mais recentemente de tendinopatia patelar. A tendinite patelar é mais comum nos esportes de saltos (vôlei e basquete) e de impacto (futebol e corridas). Geralmente, o atleta sente dor no joelho na região da frente do joelho que pode aparecer durante ou após a prática do esporte.

A tendinite quadricipital é menos frequente que a patelar, mas os esportes que a causam e os sintomas de dor são semelhantes.

Já a síndrome do atrito do trato (banda) iliotibial é um tipo de tendinite que aparece com frequência nos atletas de corrida e ciclismo. O atleta sente dor na região lateral do joelho principalmente durante a atividade física, melhorando com o repouso.

Outra tendinite do joelho muito frequente é a tendinite da “pata-de-ganso” (grupo de 3 tendões que passa pelo lado interno do joelho). Esta tendinite geralmente aparece em pacientes mais idosos e está muito relacionada com a artrose do joelho.

O diagnóstico de qualquer tendinite do joelho deve ser feito pelo ortopedista especialista em joelho que avaliará cada atleta e o esporte que pratica. Normalmente, um bom exame físico do joelho associado ao esporte praticado indica o tipo de tendinite do paciente.

Exames complementares como o RX, a ressonância nuclear magnética e a ecografia do joelho podem ser necessários para avaliar o grau da lesão e outras possíveis lesões do joelho.

No tratamento da tendinite do joelho, a recomendação inicial é para o atleta diminuir a intensidade das atividades físicas, podendo usar analgésicos, anti-inflamatórios e gelo para alívio da dor na fase inicial. Contudo, mais importante que tomar medicamentos, o atleta deve realizar fisioterapia para alongamento e fortalecimento muscular conforme o tendão envolvido. O fortalecimento muscular com exercícios específicos auxilia na cicatrização da lesão e fortalece o próprio tendão.

A cirurgia para a tendinite do joelho só é indicada quando o tratamento fisioterápico não apresenta sucesso e o atleta não consegue retornar ao seu esporte por causa da dor.

Contudo, algumas tendinites do joelho podem evoluir para ruptura de tendão do joelho que geralmente ocorre durante os esportes. Nestes casos, a cirurgia é indicada para a ruptura do tendão patelar, do tendão quadricipital e do tendão do bíceps, que são os mais comumente rompidos. Durante a cirurgia, o ortopedista especialista em joelho realiza a sutura do tendão no osso e, em alguns casos, faz um “reforço” do tendão rompido com um outro tendão, do próprio joelho.

Em resumo, a tendinite do joelho é uma lesão mais séria do que parece, pois causa dor, limita a atividade física e pode evoluir para ruptura do tendão do joelho. É muito importante que o atleta seja avaliado pelo ortopedista especialista em joelho e que o tratamento seja realizado por uma equipe multidisciplinar formada por fisioterapeutas e profissionais de educação física. O sucesso do tratamento dependerá do trabalho de toda essa equipe interagindo e “falando” a mesma língua!